Fortaleza ocupa o terceiro lugar no ranking das cidades nordestinas que mais registraram violências domésticas físicas contra as mulheres. 18,97% sofreram algum tipo de agressão pelo menos uma vez na vida, os dados foram divulgados através de um estudo realizado por meio de uma parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Instituto Maria da Penha, contando com apoio da ONU Mulheres.
Já aqui na região do Cariri, os casos não aumentaram durante a pandemia, segundo a doutora Camila Brito, delegada da Delegacia da Mulher da cidade do Crato, teve apenas um registro durante todo esse período. “Nos casos de feminicídio, quando a vítima mulher morre por ser uma mulher e onde a Lei Maria da Penha está inserida, na cidade do Crato, tivemos apenas um registro durante toda essa pandemia. ”
A delegada Camila Brito ainda explicou como melhor fazer para se prevenir da violência doméstica. “O melhor a fazer é procurar a Delegacia de Polícia Especializada que é preparada para acompanhar a vítima até em casa, fazer as medidas protetivas e encaminhar imediatamente para um juiz. Há também as viaturas com policiais inspetores que vão até o Instituto Médico Legal (IML) acompanhar o exame de corpo de delito. Além das delegacias a vítima também toda uma rede de proteção, centro de referência da mulher, movimento de mulheres que estão à disposição para orientar e conduzir até a delegacia. ”
Na cidade de Juazeiro do Norte, também não foi percebido aumento de feminicídio, segundo a doutora Débora Gurgel, delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher, não foi observado aumento da violência contra as mulheres. Nos meses de pico da pandemia foi verificado a diminuição nos boletins de ocorrência. “Observamos que diminuíram também as solicitações de medidas protetivas, quanto aos feminicídios, esse ano de 2020, antes do período da pandemia, registramos um feminicídio em Juazeiro do Norte e durante esses meses da pandemia, 2 feminicídios. ”
A delegada Débora Gurgel informa a importância e os benefícios que as mulheres têm ao realizarem as denúncias. “É importante para que os serviços cheguem as vítimas. Há a disposição os telefones da Delegacia da Mulher, para as denúncias de agressão física e de qualquer forma de violência. É possível acionar a patrulha Maria da Penha, através do número 153, a Polícia Militar pelo 190 e a denúncia anônima pelo 180, serviços que funcionam 24 horas. Todos os serviços serão informados as vítimas, os direitos conferidos e ela será encaminhada aos diversos órgãos que acompanham a rede de enfrentamento de violência contra a mulher. ”
Os relatórios da pesquisa mostram também que 23% vítimas de violência doméstica no Nordeste nos últimos 12 meses recusaram ou desistiram de alguma oportunidade de emprego. A pesquisa analisou a ação da violência por parte dos parceiros e ex parceiros das vítimas, os índices são muito próximos entre os relacionamentos antigos e atuais das mulheres em situação de violência.
Por: Jussara Lima colaboração Vinicius Santos.
