Militares prenderam o primeiro-ministro do Sudão, Abdallah Hamdok, e outras autoridades, cortaram o acesso à internet e bloquearam pontes na capital Cartum, anunciou o Ministério da Informação do país nesta segunda-feira (25), descrevendo as ações como um golpe de Estado.
Em resposta, milhares de pessoas saíram às ruas de Cartum e Omdurman para protestar contra o aparente golpe militar. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram manifestantes bloqueando vias e incendiando pneus enquanto forças de segurança usam gás lacrimogêneo para dispersá-los.
A TV Al-Arabiya diz que várias pessoas ficaram feridas após manifestantes e soldados entrarem em confronto perto de quartéis na capital. Um comitê de médicos.
Transição para a democracia
O local para onde Hamdok foi levado não foi informado. Outros quatro ministros e um membro do Conselho Soberano, que controla o governo e é responsável pela transição política no país, foram detidos.
Uma tomada de poder pelos militares seria um grande revés para o Sudão, que passa por uma transição para a democracia desde a saída do ditador Omar al-Bashir, que governou o país por três décadas e foi derrubado por protestos há dois anos.
O governo já havia sofrido por uma tentativa fracassada de golpe em 21 de setembro, e as prisões desta segunda ocorrem perto da data em que o poderoso general Abdel-Fattah Burhan entregaria a liderança do Conselho Soberano a um civil.
O conselho foi criado para governar o país após a derrubada de al-Bashir e é formado por membros militares e civis que frequentemente discordam sobre o futuro do Sudão e o ritmo da transição para a democracia.
Reação internacional
O presidente da União Africana pediu em um comunicado que os líderes políticos do Sudão sejam soltos. Os Estados Unidos e a União Europeia expressaram preocupação com os acontecimentos desta segunda.
Jeffrey Feltman, o enviado especial dos EUA para a região, disse que o país está “profundamente alarmado” com a notícia. Ele havia se reunido com autoridades sudanesas no fim de semana para tentar resolver a crescente disputa política entre líderes civis e militares.
O chefe de relações exteriores da União Europeia, Joseph Borrell, afirmou que está acompanhando os eventos no Sudão com “a maior preocupação”.
O representante da Organização das Nações Unidas (ONU) Volker Perthes afirmou que as Nações Unidas estão “profundamente preocupadas com relatos de um golpe em curso no Sudão”.
Aeroporto fechado e TV invadida
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Manifestantes fazem barricada com fogo em rua de Cartum, capital do Sudão, em 25 de outubro de 2021 — Foto: RASD Sudan Network/Reuters
O aeroporto de Cartum foi fechado e os voos foram suspensos, segundo a TV Al-Arabiya. A internet na capital do Sudão foi cortada.
O Ministério da Informação afirmou que militares invadiram a sede de uma televisão na cidade de Omdurman, na região metropolitana de Cartum, e prenderam os funcionários da emissora.
A Associação de Profissionais do Sudão (SPA), principal grupo do levante contra Omar al Bashir, que governou o Sudão entre 1989 e 2019, convocou greve geral e desobediência civil contra o que chamou de “golpe militar”.
“Convocamos as massas para que saiam às ruas e as ocupem, fechem todas as estradas com barricadas, façam uma greve geral, não cooperem com os golpistas e usem a desobediência civil para enfrentá-los”, disse o grupo em um comunicado.
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Manifestante exibe a bandeira do Sudão perto de uma barricada de pneus incendiada durante protesto na capital Cartum no dia 21 de outubro de 2021 — Foto: Mohamed Nureldin Abdallah/Reuters.
Fonte: G1.
