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Lixão de Juazeiro do Norte segue com diversos pontos de combustão e ameaça a saúde da população

Há pouco mais de um mês, o Diário do Nordeste noticiou os incomodos e danos causados pela fumaça formada no lixão ao céu aberto de Juazeiro do Norte. De lá para cá, a situação ficou ainda pior: vários pontos em combustão e a emanação cada vez maior, podendo ser avistada do Centro da cidade, a seis quilômetros de distância. Às margens da CE-060, a fumaça produzida incomoda os moradores de comunidades vizinhas e, também, os catadores de materiais recicláveis.

“Todo ano aqui é assim. Aqui embaixo é tudo fogo. Está queimando, porque é um gás que solta. A gente vem trabalhar, porque precisa”, desabafa um catador de materiais recicláveis, que preferiu não se identificar, minutos antes de se embrenhar no meio da fumaça.

Se em agosto o Sistema Verdes Mares flagrou fumaça em pontos isolados, já controlados pelo aterramento feito por tratores, ontem (22) a situação estava mais grave. Inclusive com chamas expostas em várias parte do lixão e o volume de fumaça que tornava a visibilidade ainda mais complicada.

“É difícil até para dormir de noite. Quem tem criança pequena em casa, fica preocupada”, narra a dona de casa Cícera Rosendo, da Vila Padre Cícero, que fica a mais de um quilômetro do local.

Este problema, que é recorrente no período mais quente do ano, já causou prejuízos aos catadores. Pedro Felix, por exemplo, há três anos viu sua barraca de madeira e rola ficar completamente destruída. “Perdi roupa, uma feira, o material de R$ 300 para vender. Até um celular velho eu perdi. Perdi tudo. Só não perdi os documentos, porque não guardava aqui”, pontua.

De acordo com o superintendente da Autarquia Municipal de Meio Ambiente (Amaju), o engenheiro ambiental, Sidney Kal-Rais, em locais com grandes quantidades de lixo é comum em épocas de altas temperaturas, porque a decomposição destes materiais gera gases, como o metano, que é inflamável.

Outro problema, segundo o superintendente da Amaju, é que os próprios catadores ateiam fogo no lixo para queimar o material plástico. “Fica apenas o alumínio e o ferro”, conta. A orientação, neste período de combustão, é que não trabalhem no local. “Mas não tem esse controle. Cortam o arame, adentram sem autorização”, completa.

Solução

De agosto para cá, Sidney confessa que não foi possível cessar o fogo totalmente, por ser um período muito quente. Ainda assim, foi destinado um maquinário exclusivo para tentar conter a fumaça, composta por dois tratores, dois caminhões caçamba e uma pá mecânica.

Para solucionar o problema, a Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos de Juazeiro do Norte (Semasp) está tentando firmar um contrato emergencial para destinar os resíduos do Município em dois aterros particulares da cidade.

Com população estimada em 274 mil habitantes, Juazeiro do Norte produz, em média, 280 toneladas de lixo por dia, segundo o Amaju. Tudo isso é depositado no lixão. Isso representa, pouco mais de um quilo por morador. Lá, trabalham cerca de 120 catadores de materiais recicláveis.

Por: Diário do Nordeste.

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