O Ceará pecou pela displicência e falta de ritmo no empate em 2 a 2 com o Frei Paulistano/SE, domingo (26), pela estreia na Copa do Nordeste e na temporada. O saldo final é de frustração, sentimento atenuado por um Presidente Vargas (PV) vazio – ainda resquícios da punição em 2019.
Em si, pesa também o fato do técnico Argel Fucks ainda não ter vencido nenhuma partida com o Vovô: são cinco jogos e aproveitamento de 26,66%. E o time sergipano ter uma folha salarial 26 vezes menor que a do Vovô (R$ 3 milhões contra R$ 115 mil mensais).
Ano após ano, Rogério Ceni cobra publicamente a ausência de reforços no @FortalezaEC. O alvo muda, o discurso não. Seja carência de zagueiro, camisa 10… Hoje, são atacantes de lado. O fato é que o técnico exige evolução. https://t.co/F4kLwvWdNZ
— Alexandre Mota (@alexandremotal) January 27, 2020
Elementos que delimitam a grandeza e o favoritismo em campo, independente de ser ou não começo de ano. A expectativa cresce quando, em 20 minutos, o time constrói um 2 a 0 no placar com infinita superioridade técnica e tática, sem esforço.
Foi assim que uma triangulação terminou no gol de Felipe Baxola ou quando a bola sobrou nos pés de Vinícius, o melhor reforço na partida. Só que se manter competitivo exige concentração, principalmente quando o rival é inerte, inofensivo e estreante na competição.
Então o que parecia ser um esboço de um começo triunfal virou tropeço. Uma atrás da outra, o plantel alvinegro desperdiçava a chance de ampliar: seja com tentativas de gol de cobertura, atleta fintando três marcadores e até mesmo o goleiro rival. O ritmo volumoso ficou ameno, as linhas não sufocavam e a ausência de jogos oficiais passou a pesar.
O pecado foi ofuscar o jogo com brilhantismo e abdicar da competitividade antes do minuto final. O fôlego escasso foi gasto com experimentações no último terço do campo, quando o melhor destino deveria ser liquidar o adversário enquanto havia gás e superioridade.
Que dirá Fernando Prass, vítima da apatia coletivo e exposto as artimanhas sergipanas que quase o surpreenderam no 1º tempo – foram freados com brilhantes defesas do arqueiro de 41 anos. A sorte não tem valência precisa no futebol, um esporte que sempre prima pela competência.
Característica que sobrou ao Frei Paulistano no retorno do intervalo. Letal, o time insistiu no ponto falho alvinegro – bola aérea – e assim alcançou o empate e o perigo. No fim, o entrave foi técnico. Sem força, o Vovô dependeu de Rick e Leandro Carvalho para desempatar: não logrou êxito.
O ambiente ainda é de estudo em Porangabuçu, paciência. Mas aos que concedem tempo ao tempo, lembre que a torcida alvinegra anseia por resultados desde o início de 2019. A pressão pode ser tardia, mas virá independente do mínimo resultado. É vencer para respirar.
Fonte: Diário do Nordeste.

