Exatamente um mês após os atos golpistas de 8 de janeiro, servidores, parlamentares e representantes de entidades da sociedade civil promoveram (em 8/2) “O caminho inverso: Ato pela Democracia”, no Palácio do Congresso Nacional. O evento foi marcado por homenagens aos policiais legislativos, trabalhadores da limpeza, reparadores de obras de arte e demais servidores e diretores da Câmara dos Deputados e do Senado que trabalharam, às vezes em turnos ininterruptos, para proteger o Parlamento diante dos ataques terroristas e depois devolvê-lo recuperado para os trabalhos legislativos. Os presidentes das duas Casas, deputado Arthur Lira (PP-AL) e senador Rodrigo Pacheco, também foram citados pela “defesa intransigente” da democracia. O ato público ocorreu no Salão Negro, um dos primeiros pontos da invasão golpista às dependências da Câmara e do Senado. O policial legislativo da Câmara Adilson Paz fez questão de enaltecer a coesão dos companheiros do Depol na defesa do Parlamento um mês atrás.
“Ainda ouvimos o silêncio estridente das bombas que explodiam nas nossas linhas. Não tínhamos noção que o dia 8 de janeiro seria um campo de batalha dentro do maior palco da nossa democracia, o Parlamento. O que mais orgulha naquele dia 8 é a bravura dos meus companheiros: homens e mulheres que não sabiam se voltariam para casa. Foi para proteger um ao outro, mas foi também para proteger física e moralmente a nossa democracia”.
Vários deputados discursaram para elogiar os servidores e o fortalecimento dos vínculos democráticos do país após os atentados de 8 de janeiro. O primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, deputado Luciano Bivar (UNIÃO-PE), do União de Pernambuco, foi um dos representantes da direção da Casa no evento.
“A Mesa Diretora é despida de cor e ideologia. Ela é feita para manter aquilo que diz respeito à toda condução de funcionamento desse palácio que simbolicamente representa o Parlamento. Eu me congratulo com todos vocês que estão aqui em defesa da nossa democracia”.
A segunda-secretária da Mesa Diretora, deputada Maria do Rosário (PT-RS), do PT do Rio Grande do Sul, manifestou “respeito e gratidão” aos servidores da Câmara e do Senado.
“Neste abraço simbólico que oferecemos aqui queremos dizer que nunca mais ousem com a sede golpista contra a Constituição e contra a democracia aqueles que não têm apreço pelas instituições, pela liberdade e pelos direitos humanos. Nós não abriremos mão do Estado Democrático de Direito. Ditadura nunca mais. Ataque ao Parlamento nunca mais”.
Ao lado da bancada do PSOL, o deputado [[Chico Alencar]], do Rio de Janeiro, disse que o ato público marcava a “ocupação da cidadania e não do fascismo” no Parlamento. Alguns parlamentares seguravam cartazes com a inscrição “sem anistia”, cobrando punição rigorosa a todos que articularam, financiaram e participaram efetivamente dos atos golpistas. A senadora Soraya Thronicke, do União do Mato Grosso do Sul, defendeu uma CPI para a investigação política dos fatos. Na Câmara, oito deputados já apresentaram projetos de lei que transformam 8 de janeiro em dia nacional de resistência da democracia.
O ato público no Parlamento foi organizado pelo Sindilegis, que reúne os servidores da Câmara, do Senado, e do Tribunal de Contas da União. O presidente do sindicato, Alison Souza, destacou a relevância do evento.
“Estar aqui hoje é um dever cívico. A esmagadora maioria dos brasileiras e milhares de pessoas mundo afora repudiaram e repudiam o uso da violência para o alcance de objetivos políticos”.
Entidades internacionais também se manifestaram em defesa da democracia brasileira, como o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que enviou mensagem de vídeo. A Associação de Ex-membros do Congresso dos Estados Unidos (FMC) divulgou carta de solidariedade aos brasileiros. Já a presidente da Fundação PopVox, a norte-americana Marci Harris, fez questão de comparecer pessoalmente no ato público.
Ela está relembrando aí que a invasão do Capitólio por seguidores de Donald Trump, em 2021, deixou traumas nos servidores, na sociedade e na democracia norte-americana que foram muito além dos danos físicos ao prédio do Capitólio. Harris integra o Capitol Strong, coalizão internacional de defensores da democracia. O ato público em defesa do Parlamento brasileiro ainda contou com diretores de sindicatos dos trabalhadores da Justiça (Sindjus) e do Executivo (Fonacate), além de vários outros representantes sindicais. Um vídeo-manifesto também foi exibido.
“É democracia que nos permite falar sobre democracia. Nós, servidores e representantes do povo, seguiremos adiante para que episódios como o que vivemos em 8 de janeiro de 2023 jamais se repitam”.
O ato público foi encerrado com um abraço simbólico no gramado em frente ao Palácio do Congresso. Durante o evento, o deputado André Figueiredo (PDT-CE), do PDT do Ceará, agradeceu “a resposta imediata dos 3 Poderes” diante dos atos golpistas de 8 janeiro e afirmou que “a democracia não pode ser negociada”.
Fonte: Radio Câmara de Brasília.

