As negociações por novas fusões, incorporações, federações e blocos partidários
entre as legendas estão movimentando o Congresso neste período entre o
resultado das eleições e a posse dos novos parlamentares, em fevereiro de
2023.
Uma das mais promissoras uniões é a possível parceria entre dois partidos de
esquerda, o PSB e o PDT. Representantes das duas legendas têm conversas
adiantadas para a formação de um bloco parlamentar em Brasília, cuja
expectativa, se o “casamento” der certo, é transformá-lo em federação antes
mesmo das eleições municipais de 2024.
“A formação do bloco é muito provável no Congresso, e estamos vendo em
quais estados será possível repeti-lo. A federação não é um processo simples,
mas é possível também”, afirmou o presidente do PDT, Carlos Lupi. Novidade
da legislação para a eleição deste ano, a federação exige que os partidos fiquem
juntos em todos os níveis (municipal, estadual e federal) por ao menos quatro
anos.
Uma federação entre as duas siglas dobraria a bancada de ambos na Câmara —
hoje, o PDT tem 17 deputados, enquanto o PSB tem 14. A união também se
tornaria a segunda maior bancada de esquerda, perdendo apenas para a
formada por PT, PCdoB e PV (que tem 80 deputados).
Nas últimas semanas, também chegou a ser ventilado um possível bloco que
uniria PSB e PDT ao PSDB — que, por outro lado, tem uma federação com o
Cidadania e também negocia com Podemos e setores do MDB. “Ainda não
existem outros partidos envolvidos na negociação, mas estou aberto ao diálogo.
Tenho uma excelente relação com o Bruno Araújo (deputado federal e atual
presidente tucano) e Eduardo Leite (governador do Rio Grande do Sul e
futuro presidente nacional do PSDB)”, desconversa Lupi.
A movimentação na esquerda também será grande com a anunciada intenção
do PT de formar um bloco na Câmara para apoiar a reeleição de Arthur Lira
(PP-AL) e conseguir negociar cargos na Mesa Diretora e em comissões
importantes. O desenho planejado pelo partido do presidente eleito Luiz
Inácio Lula da Silva inclui legendas fora do campo da esquerda, como União
Brasil e PSD.
Reportagem de VEJA desta semana mostra que a movimentação por fusões
virou uma necessidade para 15 dos 32 partidos registrados no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), que não conseguiram atingir a cláusula de barreira —
a ferramenta condiciona recursos como acesso ao fundo partidário, estrutura
na Câmara e propaganda gratuita na TV ao desempenho eleitoral das legendas,
exigindo no mínimo 11 deputados federais eleitos ou 2% dos votos válidos em
pelo menos nove unidades da federação.
Desde o fim da eleição, PTB e Patriota e Solidariedade e Pros, por exemplo, já
anunciaram fusões. Outro partido ameaçado, o PSC, anunciou a sua incorporação pelo Podemos.
Revista Veja.

