Texto de Opinião; Regy Santos – Jornalista.
Quero começar esse texto dividindo em dois tópicos, ligados ao caso da Jovem atriz, Klara Castanho, de 21 anos. Primeiro, como esse caso veio à tona, ou como obrigaram a menina a falar sobre o assunto publicamente.
Ao publicar uma carta aberta nas suas redes sociais neste sábado (25), a atriz relatou ter engravidado por ter sido vitíma de um estupro, um crime considerado hediondo. Após o episódio, levou a gravidez adiante e deu à criança para adoção. Em uma sociedade julgadora e machista, não houve outra reação se não a de julgar a moça, por ter escondido o fato e por não ter ficado com a criança.
No Jornalismo de celebridades, Klara era a protagonista de um fato bombástico no mundo dos famosos. Mas vale tudo por uma notícia? Por uma Bomba em primeira mão? No mundo de hoje, infelizmente vale.
A menina procurou ajuda médica e acabou tendo seu direito à privacidade violado por profissionais que deveriam acolhê-la. A mídia procurou, achou e divulgou, e depois de muito ser julgada nas redes, ela se viu obrigada a falar sobre o assunto.
A ética humana existiu?
Meus caros leitores, é com grande pesar que afirmo; A ética na profissão está extinta, não vale mais ser humano, vale mais ser o “Jornalista” que leva o fato em primeira mão. Isso não só no contexto dos famosos, mas em todos os campos.
Um profissional que deveria levar a verdade dos fatos, mas respeitando o direito da principal personagem envolvida, que antes de tudo é humana, acaba se transformando em um abutre pronto para passar por cima de tudo e de todos.
A jovem por ser famosa sentiu o peso da exposição da pior forma, ela estava em um contexto de vulnerabilidade e foi violada e está sendo massacrada por falsos moralistas que habitam a terra chamada internet.
Sociedade, machismo e Hipocrisia;
O segundo tópico, constitui um grande tribunal social construído há séculos, mas que foi modernizado com era da internet, se antes a mulher era julgada e condenada por comentários maldosos em núcleos sociais da vida real, hoje, esse julgamento ganhou um peso maior no mundo virtual.
Mas não esqueçam, os mesmo “juízes” que acusam e batem o martelo, são dignos de serem julgados com as mesmas armas que utilizam para sentenciar.
Agora parem e pensem; Se fosse com você? Com sua filha, com sua neta, com sua irmã? Mas não é, né? Então é fácil julgar. O que está acontecendo com a jovem atriz global só renova o discurso que todas nós, mulheres, levamos a diante; a sociedade considera a mulher um ser submisso e dentro desse contexto, o corpo feminino como um templo de reprodução e a mulher, obrigatoriamente uma mãe.
Assim como Klara, milhares de meninas pelo mundo a fora sofrem ou sofreram algum tipo de estupro, que ocasionaram uma gravidez indesejada, muitas delas, por medo e inexperiência acabam aceitando a imposição de pais ou mesmo, religiosos, com o argumento de que a criança não tem culpa e a mulher precisa dar amor e carinho para seu filho.
Não, não e não. Uma criança não vai apagar os traumas causados pela violência sofrida. A mulher não é obrigada a seguir com uma gestão que não teve o seu consentimento. Ela não é obrigada a viver a vida inteira ao lado do fruto daquela violência.
O caso Klara, mostra nitidamente a cara de pau de uma sociedade que se veste de uma discurso anti estigmas sociais, anti preconceitos e a favor da modernidade, mas quando se esbarra em uma situação que afunda o dedo nas suas feridas que pareciam estar cicatrizadas, acaba dando 10 passos para trás e mostrando que vale tudo para manter as falsas aparências da moral e do bom costume.

